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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Cultivo do tomate (Lycopersicon esculentum) cont.


Ecofisiologia
A produtividade em cultivo de tomateiro é mais afetada pela luz, temperatura, suprimentos nutricionais e água. A importância relativa desses fatores irá depender da situação de cultivo. Cultivo no inverno em casa de vegetação aquecida, como ocorre no norte da Europa e dos USA, a luz é o fator mais limitante. No inverno, em casa de vegetação não aquecida, como no sul da Europa e Oriente Médio, ambas, luz e temperatura, podem ser limitantes. No campo temperaturas (altas e também baixas); luz (dias curtos ou nublados, altura do dossel); água; nutrição ou falta de proteção das sementes e outras pragas podem ser limitantes. No geral, a dificuldade no manejo de água tem se constituído no principal obstáculo par se obter altas produções e qualidade de frutos.
a) Luz: A qualidade da luz e fotoperíodo não são tão importantes para o crescimento do tomate quanto a irradiância integral diária. Entretanto, usando somente luz fluorescente a taxa de assimilação líquida caiu em 20% relativa a mesma irradiância com luz incandescente utilizada como fonte de far red. Para contornar a limitação de luz, luz suplementar às vezes é utilizada em casa de vegetação no Hemisfério Norte. Entretanto, em termos econômicos essa raramente é justificável, exceto para sementes que são mantidas no escuro e pouca luz suplementar se torna necessária para instalar. Se usar luz a suplementar é mais para aumentar  duração de horas durante o dia que para aumentar a intensidade de luz.
b) Temperatura: O tomate requer um clima relativamente fresco, árido, para dar uma produção elevada de primeira qualidade. Contudo, esta planta adaptou-se a um amplo leque de condições climáticas, variando entre temperada a quente e úmida tropical. A temperatura ótima da maioria das variedades situa-se entre 21 a 24 °C. As plantas podem sobreviver certa amplitude de temperatura, mas abaixo de 10 °C e acima de 38 °C danificam-se os tecidos das mesmas. Os tomateiros reagem às variações da temperatura que têm lugar durante o ciclo de crescimento, de forma a que são afetadas p.ex. a germinação de sementes, o desenvolvimento de plântulas, a florescência, a frutificação e a qualidade dos frutos. Quando durante a florescência há períodos persistentes de tempo fresco ou quente, reduz-se a produção de pólen e isto terá influência na frutificação. Quando há gelo, as plantas serão destruídas. Para prevenir danos provocados pelo gelo, é recomendável adiar a sementeira até o inverno ter acabado completamente. É possível semear antes desse momento, mas então deve ser feito dentro (em vasos ou tabuleiros). A temperatura ótima para taxa de assimilação líquida é entre 25 e 30 ºC. A taxa de crescimento relativo das plantas jovens respondem independentemente a T do dia/noite com ótimo em torno de 25 ºC. Se a temperatura do dia for acima do ótimo, um abaixamento da temperatura noturna abaixo do ótimo pode compensar.
c) Umidade: a umidade ótima relativa é entre 60% ​​e 80%. Umidade relativa elevada favorece a sobrecarga e o desenvolvimento da doença e rachaduras do fruto e impedem a fecundação, pois o pólen é compactado, podendo ocorrer aborto de flores. A quebra de frutas também pode ser causada pela umidade excessiva do solo ou irrigação após um período de estresse hídrico abundante. Baixa umidade relativa também reduz a viabilidade do grão de pólen para o estigma da flor. 


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cultivo do tomate (Lycopersicon esculentum) cont.

Descrição Botânica

Planta herbácea. As cultivares de L. esculentum são consideradas perene de vida curta no seu habitat e trópicos; em regiões temperadas e como planta cultivada é considerada como cultura anual. Da semeadura até a produção de novas sementes, o ciclo varia de 4 a 7 meses, sendo 1 a 3 meses de colheita; A floração e a frutificação ocorrem junto com o crescimento vegetativo.

Raiz: sistema radicular vigoroso com raiz axial que se desenvolve até atingir uma profundidade de 3 m (semeadura direta). A raiz principal produz um denso conjunto de raízes laterais e adventícias.
Caule: o seu porte varia entre ereto a semi-prostrado. Cresce até atingir uma altura de 2-4 m. O caule é tenro e incapaz de suportar o peso dos frutos. A forma original lembra uma moita, com os cultivos foi sendo modificado através da poda. Ramificação simpoidal (sucessivos eixos principais são desenvolvidos a partir de gemas axilares). Presença de pequenos tricomas (pêlos glandulares ou não glandulares); pêlos glandulares com odor notável devido presença de compostos hidrossolúveis pertencentes a duas classes de toxinas: 2-tridecanona e compostos fenólicos (ácido clorogênico e uma quercetina 3-O-rutinosideo denominada rutin). As toxinas apresentam efeito adverso sobre insetos-praga do tomateiro. Tais toxinas secretadas pelas glândulas necessariamente não tem efeito mortal sobre os insetos herbívoros. Causam enfraquecimento, retardando o crescimento e período pupal; como consequência os insetos tornam-se mais vulneráveis à doenças e predadores no ambiente.
Folhas: folhas alternadas, compostas, pinada, grosseiramente dentada e dispostas de forma helicoidal, com 15-50 cm de comprimento e 10-30 cm de largura. Os folíolos são de forma oval até oblonga, cobertos com tricomas glandulares. O pecíolo tem um comprimento de 3-6 cm.
Flores: A inflorescência é de forma agrupada em cacho (rácemo), com flores pequenas, amarelas e produzindo 6 a 30 flores por cacho (normalmente de 4 a 12 nas cultivares comerciais).  As flores são bisexuais, regulares e têm um diâmetro de 1,5 -2 cm, desprovida de necta. Desenvolvem-se opostos ou entre as folhas. A corola é amarela em forma de estrela. O tubo de cálice é curto e peludo e as sépalas são persistentes. No geral, há 6 pétalas com um comprimento que pode atingir 1 cm, de cor amarela e recurvas quando maduras. Há 5 a 6 estames livres, amarelos, cuja as anteras soldam-se formando um cone (cone anteroidal) e as anteras são de cor amarela clara dispostas em redor do estigma fazendo com que a autopolinização predomine (pólen é liberado pelas fendas laterais das anteras, no interior do cone, sendo conduzido para a boca do tubo formado pelas anteras onde fica o estigma). O ovário tem uma posição superior e contém 2-10 lóculos, sendo mais comum de 3 a 4 caracterizando-se por plantas biloculares e pluriloculares. Na maioria dos casos há autopolinização, mas em parte (5%) também há polinização cruzada. A abertura floral no cacho segue desenvolvimento progressivo, é difícil ocorrer abertura de duas flores simultaneamente; por esta razão encontramos no mesmo cacho frutos pequenos, flores abertas e botões florais. Os polinizadores mais importantes são as abelhas e os abelhões. Cultivares em que o estigma situa-se fora do cone formado pelas anteras, a taxa de alogamia atinge a valores bem mais elevados. O estilete alongado é observado em espécies silvestres e cultivares primitivos levando a polinização cruzada (insetos). Sob condições de elevada temperatura também pode ocorrer alongamento do estilete.
Estigma: é receptivo ao pólen 1 a 2 dia antes da deiscência das anteras e permanece receptivo por 4 a 8 dias após a antese.
Pedicelo: apresenta zona de abscisão típica no seu meio (joelho); as cultivares recentes tem gene recessivo j ("jointless") em que a camada de abscisão não desenvolve. Essa característica foi introduzida pelo melhoramento por favorecer a colheita, seleção e embalagem dos frutos evitando danos mecânicos.
Fruto: é uma baga carnosa, suculenta (95% de água), polispérmico (100 a 180 sementes por fruto nas cultivares comerciais) de forma globular a oblongo e com 2-15 cm de diâmetro, seu peso varia entre 20 a 400g conforme a cultivar. O fruto não maduro é verde. A cor do fruto maduro varia entre amarelo (carotenóides: B-caroteno), cor-de-laranja a vermelho (carotenóides: licopeno); esta coloração ocorre devido a combinação de pigmentos da pele (epiderme) e do pericarpo. No geral, o fruto é redondo, com uma superfície ligeiramente peluda quando jovem e lisa quando madura. Os frutos atingem a maturação de 30 a 40 dias após a fecundação do óvulo. O fruto é composto por uma película (casca = epiderme), popa (pericarpo) e placenta (cavidade locular contendo as sementes). Internamente dividido em lóculos (lojas) ocupados pelo tecido placentário (gel) no qual as sementes se encontram imersas (mucilagem placentária). Pode ser bi, tri ou plurilocular; unilocular é raro. Fruto partenocárpico com lóculos sem espaços vazios é controlado pelo gene recessivo pat-2 encontrado na cultivar soviética Severianin. Em algumas variedades o formato é determinado por ocasião da antese e em outras durante o crescimento após antese.  A divisão celular polar e a expansão celular estão correlacionadas com a determinação do formato do fruto.
Sementes: abundantes, com forma de rim ou de pêra. São peludas, de cor castanha clara, com 3-5 mm de comprimento e 2-4 mm de largura. O embrião está envolto no endosperma. O peso de 1000 sementes é, aproximadamente, de 2,5 – 3,5 g.
Hábito de crescimento: varia de indeterminado a altamente determinado. O hábito indeterminado é dependente da atividade do gene Sp (self-pruning); o alelo recessivo sp confere o fenótipo determinado.


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domingo, 25 de dezembro de 2011

Cultivo do tomate (Lycopersicon esculentum) cont.

Importância econômica
A produção mundial de tomate no ano de 2009 foi de aproximadamente 152 milhões de toneladas. O Brasil, um dos maiores produtores mundiais ocupando o nono lugar, produziu em 2008 cerca de 4,3 milhões de toneladas em uma área de 67 mil hectares, indicando uma produtividade média de 64 t por hectare (FAO 2011).
A produção de tomate no Brasil é bastante desenvolvida, sendo os estados do Sudeste e Centro-oeste os de maior importância econômica. Nesta região localizam-se as maiores empresas de processamento do fruto.
Estima-se que aproximadamente três milhões de toneladas da produção brasileira do tomate seja para seu consumo in natura, sendo o restante utilizado para o processamento de sua polpa, normalmente feito a partir de tomates rasteiros. Os principais estados brasileiros, responsáveis por esta produção são Goiás, São Paulo e Minas Gerais.


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cultivo do tomate (Lycopersicon esculentum)

Origem

A julgar pela distribuição de spp silvestres, o progenitor do tomateiro hoje cultivado tem com origem uma área limitada, seca, tropical, compreendendo da Cordilheira dos Andes entre um pequeno território que se estende do Sul do Equador ao norte do Chile e em algumas ilhas do Oceano Pacífico. Das formas silvestres, L. esculentum var. cerasiforme é considerado o provável ancestral imediato do tomateiro cultivado (parente próximo). Esta espécie se expandiu, a partir do Equador e Peru, por toda a América tropical.

Áreas de Vera Cruz e Puebla, no México, são consideradas como sendo o centro de domesticação. Chegou na Europa em meado século XVI e disseminou-se para Ásia meridional e oriental, África e Oriente médio. Mais recentemente, distribuiu-se o tomate silvestre para outras partes de America do Sul e do México.
Inicialmente associado com a reputação de alimento perigoso devido a relação com solanáceas venenosas contendo alcalóides, tipo beladona (Atropa belladonna), Datura stramonium e mandrágora (Mandragora officinarum). Acredita-se que seu uso inicial na alimentação tenha sido restrito e utilizado mais como ornamental. Hoje é a segunda solanáceae mais cultivada no mundo, vindo após a batata. Embora indígena da parte ocidental da América do Sul, seu consumo e importância econômica na região de origem á pequeno quando comparado a outras partes do mundo.
É sugerido que a denominação "tomato" seja oriunda da linguagem Nahuati do México. Alguns nomes comuns locais ao tomate são: Tomate (português, espanhol), Jitomate (espanhol mexicando), na Itália "pomo di oro" (maçã dourada) o que sugere que os tipos cultivados possuíam frutos amarelados; na França o fruto foi chamado de "pomme d'amour" (maçã do amor); e tomato (inglês).