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sábado, 25 de agosto de 2012

Nutrição e adubação do sorgo


A fertilidade dos solos, a nutrição e adubação são componentes essenciais para a construção de um sistema de produção eficiente. A disponibilidade de nutrientes deve estar sincronizada com o requerimento da cultura, em quantidade, forma e tempo. Um programa racional de adubação envolve as seguintes considerações: a) diagnose da fertilidade do solo; b) requerimento nutricional do sorgo de acordo com a finalidade de exploração, grãos ou forragem; c) os padrões de absorção e acumulação dos nutrientes, principalmente N e K; d) fontes dos nutrientes; e) manejo da adubação.
É importante ressaltar que nos últimos anos, a agricultura brasileira, de um modo geral, vem passando por importantes mudanças tecnológicas resultando em aumentos significativos da produtividade e produção. Dentre essas tecnologias destaca-se a conscientização dos agricultores da necessidade da melhoria na qualidade dos solos, visando uma produção sustentada. Essa melhoria na qualidade dos solos está geralmente relacionada ao manejo adequado, o qual inclui entre outras práticas, a rotação de culturas, o plantio direto e o manejo da fertilidade através da calagem, gessagem e adubação equilibrada com macro e micronutrientes, utilizando fertilizantes químicos e/ou orgânicos (estercos, compostos, adubação verde, etc).
Diagnose da fertilidade do solo
Os solos apresentam diferenças em sua capacidade no fornecimento de nutrientes, dependendo da quantidade de reservas totais, dinâmica de mobilização e fixação e da disponibilidade dos nutrientes para as raízes, Desse modo, é necessário quantificar, por meio de análises químicas, o potencial dos solos em fornecer os nutrientes e o estado nutricional das plantas, como instrumentos para o uso eficiente de corretivos e fertilizantes. Além destes fatos, é necessário também levar em consideração os diferentes esquemas de rotação e sucessão de culturas que apresentam diferenças nas exigências nutricionais e reciclagem dos nutrientes pelas diferentes culturas componentes dos sistemas de produção utilizados nas propriedades agrícolas. A Figura 1 ilustra a classificação da fertilidade dos solos, utilizada para interpretação da capacidade dos solos em suprir nutrientes as culturas.
Para que o objetivo do manejo racional da fertilidade do solo seja atingido é imprescindível a utilização de uma série de instrumentos de diagnose de possíveis problemas nutricionais que, uma vez corrigidos, aumentarão as probabilidades de sucesso na agricultura. Assim, o agricultor ao planejar o cultivo do sorgo deve levar em consideração os seguintes aspectos: a) expectativa de produção; b) diagnose adequada dos problemas – análise de solo e histórico de calagem e adubação das glebas; c) quais nutrientes devem ser considerados neste particular caso? (muitos solos tem adequado suprimento de Ca, Mg, Fe, etc.); d) quais nutrientes não necessitam ser considerados a cada ano ? (Ca e Mg suprido pela calagem; Zn e Cu residual no solo e, maior ou menor exigência da cultura); e) quantidades de P e K necessários na semeadura ? - determinado pela análise de solo e removido pela cultura; f) qual a fonte, quantidade e, quando aplicar N? (baseado na análise de solo e produtividade desejada); g) quais nutrientes podem ter problemas neste solo? (lixiviação de nitrogênio em solos arenosos, ou são necessários em grandes quantidades); h) outros fatores agronômicos (híbridos, espaçamento, densidade de plantas, sanidade, disponibilidade de água, etc.), são satisfatórios?

Figura 1. Conceitos utilizados para interpretação dos indicadores da fertilidade dos solos e sua capacidade potencial no suprimento de nutrientes às culturas.
Exigências nutricionais
O requerimento nutricional varia diretamente com o potencial de produção. Por exemplo, os dados apresentados na Tabela 1, dão uma ideia da extração de nutrientes pelo sorgo. Observa-se que a extração de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio aumenta linearmente com o aumento na produtividade, e que a maior exigência do sorgo refere-se ao nitrogênio e potássio, seguindo-se cálcio, magnésio e fósforo.
Devido ao fato de culturas com maiores rendimentos extraírem e exportarem maiores quantidades de nutrientes (Tabela 1) e, portanto, necessitarem de doses diferentes de fertilizantes, nas recomendações oficiais de adubação para a cultura do sorgo no Brasil, as doses dos nutrientes são segmentadas conforme a produtividade esperada. Isso se aplica mais apropriadamente, a nutrientes como nitrogênio e o potássio, extraídos em grandes quantidades, mas também é valido para o fósforo e, de certo modo para o enxofre. O conceito é menos importante para o cálcio e o magnésio, cujos teores nos solos, com a acidez adequadamente corrigida, devem se suficientes para culturas de sorgo com altas produtividades.
Tabela 1. Extração média de nutrientes pela cultura do sorgo em diferentes níveis de produtividades.
1/ Para converter P em P2O5, K em K2O, Ca em CaO e Mg em MgO, multiplicar por 2,29, 1,20, 1,39 e 1,66, respectivamente. Fonte: 2/Pitta et al. (2001) e 3/Fribourg et al. (1976). 
FONTE: EMBRAPA


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Nutrição e Adubação do milho


Nos últimos anos, a cultura do milho no Brasil, vem passando por importantes mudanças tecnológicas, resultando em aumentos significativos da produtividade e produção. Entre essas tecnologias destaca-se a conscientização dos produtores da necessidade da melhoria na qualidade dos solos, visando uma produção sustentada. Essa melhoria na qualidade dos solos está geralmente relacionada ao manejo adequado, o qual inclui entre outras práticas, a rotação de culturas, plantio direto, manejo da fertilidade através da calagem, gessagem e adubação equilibrada com macro e micronutrientes, utilizando fertilizantes químicos e/ou orgânicos (estercos, compostos, adubação verde, etc.).
Assim, o agricultor ao planejar a adubação do milho deve levar em consideração os seguintes aspectos: a) diagnose adequada dos problemas – análise de solo e histórico de calagem e adubação das glebas; b) quais nutrientes devem ser considerados neste particular caso? (muitos solos tem adequado suprimento de Ca, Mg, etc.); c) quantidades de N, P e K necessários na semeadura ? - determinado pela análise de solo e removido pela cultura; d) qual a fonte, quantidade e, quando aplicar N ? (baseado na produtividade desejada); e) quais nutrientes podem ter problemas neste solo ? (lixiviação de nitrogênio em solos arenosos, ou são necessários em grandes quantidades).
Exigências Nutrientes
Dados médios de experimentos conduzidos na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas- MG, dão uma idéia da extração de nutrientes pelo milho, cultivado para produção de grãos e silagem (Tabela 1). Observa-se que a extração de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio aumenta linearmente com o aumento na produtividade, e que a maior exigência do milho refere-se a nitrogênio e potássio, seguindo-se cálcio, magnésio e fósforo.

Com relação aos micronutrientes, as quantidades requeridas pelas plantas de milho são muito pequenas. Para uma produtividade de 9 t de grãos/ha, são extraídos: 2.100 g de ferro, 340 g de manganês, 400 g de zinco, 170 g de boro, 110 g de cobre e, 9 g de molibdênio. Entretanto, a deficiência de um deles pode ter tanto efeito na desorganização de processos metabólicos e redução na produtividade, como a deficiência de um macronutriente como, por exemplo, o nitrogênio.
Em milho, os nutrientes têm diferentes taxas de translocação entre os tecidos (colmos, folhas e grãos). No que se refere à exportação dos nutrientes, o fósforo é quase todo translocado para os grãos (77 a 86 %), seguindo-se o nitrogênio (70 a 77 %), o enxofre (60 %), o magnésio (47 a 69 %), o potássio (26 a 43 %) e o cálcio (3 a 7 %). Isso implica que a incorporação dos restos culturais do milho devolve ao solo grande parte dos nutrientes, principalmente potássio e cálcio, contidos na palhada. Quando o milho é colhido para silagem, além dos grãos, a parte vegetativa também é removida, havendo consequentemente alta extração e exportação de nutrientes (Tabela 1). Assim, problemas de fertilidade do solo se manifestarão mais cedo na produção de silagem do que na produção de grãos. Na figura 1 são apresentadas a reciclagem (restituição) e exportação de nutrientes por milho destinado à produção de grãos e forragem.
De acordo com os dados apresentados na Figura 1, para alcançar produção de 9,20 t de grãos ha-1, a cultura do milho absorveu um total de 185 kg/ha de N, dos quais 138 kg/ha (75 %), foram exportados nos grãos e 47 kg/ha encontravam-se na palhada; 132 kg/ ha de K, dos quais apenas 42 kg/ha (32 %) foram exportados nos grãos e 90 kg ha-1 de K (68 %) encontravam - se na palhada (Figura 1). Pode-se afirmar, portanto, que a manutenção dos restos culturais na área, devolve ao solo grande quantidade de K, caracterizando a cultura do milho destinada a produção de grãos como uma “bomba” recicladora de K, com uma reciclagem de 12 kg de K por tonelada de palha. O milho destinado à produção de forragem tem recomendações especiais porque todo material é cortado e removido do campo antes que a cultura complete o seu ciclo. Com isso, a remoção de nutrientes é muito maior quando comparada com a cultura destinada à produção de grãos (Figura 1). Essas informações tem implicações na recomendação de adubação tanto para o milho como para as outras culturas semeadas em rotação ou em sucessão a este cereal. Assim, ao se planejar a adubação para cultura do milho é importante considerar, além dos resultados das análises de solo, a extração dos nutriente pela cultura, a finalidade de exploração (grãos ou forragem) e a estimativa do potencial de produtividade a ser alcançado.
FONTE: EMBRAPA

terça-feira, 10 de julho de 2012

Adubação verde, alternativa econômica e ecológica, é sucesso em MG

Em um mundo cada vez mais necessitado de ações que valorizem a preservação ambiental, a adubação verde, uma das variedades de adubação orgânica, tem-se firmado como uma opção para o cultivo de variadas lavouras. A técnica utiliza matéria orgânica, gerada a partir do cultivo de plantas, para adubar o solo, diminuindo ou eliminando o uso de fertilizantes químicos. Vantagem para o meio ambiente, o produtor e o consumidor dos alimentos produzidos no campo. "A diferença no uso deste método em relação aos adubos industrializados é devido à forma natural e renovável. Se o mundo todo usasse adubação verde, diminuiria o efeito estufa e a poluição do meio ambiente" garante Afrânio Otávio Nogueira, extensionista do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) em Mateus Leme, um dos dos municípios mineiros em que agricultores aderiram à iniciativa.
A adubação verde pode ser feita de duas maneiras, uma delas é o plantio das sementes de leguminosas ou gramíneas em meio às lavouras permanentes, como é o caso dos milharais. Depois de crescer e florir, as plantas são roçadas e deixadas no terreno para se transformarem em adubo natural. Outro método é o plantio direto, em que primeiro se plantam as sementes e depois em cima da palhada são cultivadas outras culturas, como as hortaliças. O adubo verde feito com plantas leguminosas como o feijão gandhu, mucuna, crotalárea, entre outras, possui um benefício extra; maior fixação de nitrogênio no solo. Isso porque as leguminosas são capazes de fazer uma associação com bactérias próprias para fixar o nutriente.
Com o solo rico em nitrogênio, há um grande aumento na produtividade. "Quanto mais nitrogênio, mais a planta produz", fala o extensionista Afrânio, ao lembrar também que, com essa adubação natural cai o custo da produção. "Isso baixa o custo para o agricultor na compra de adubo nitrogenado, porque muitas vezes ele não vai precisar comprar". Afrânio Nogueira diz ainda, que são inúmeras as vantagens de usar adubo verde. "Com esse método, o solo ganha mais infiltração e retenção de água, fica mais poroso devido às raízes e diminui a erosão. Também aumenta a vida útil e o teor de matéria orgânica". Outras vantagens, segundo o técnico, são: proteção contra o impacto das chuvas e da irradiação solar direta, controle de pragas e de doenças nas lavouras, além da inibição do crescimento de mato.
De acordo o coordenador técnico estadual de agroecologia da Emater-MG, Fernando Casimiro Tinoco, o método "é uma ferramenta auxiliar em qualquer sistema de produção, seja ele orgânico ou convencional". Porém, ele esclarece que só esse tipo de adubo não é o suficiente para suprir todos os nutrientes que a planta necessita, sendo preciso a introdução de adubos adicionais. Para incentivar o uso deste método, a Emater-MG aderiu ao programa Banco Comunitário de Produção de Sementes de Adubo Verde do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A Emater-MG tem participado do trabalho em mais de 90 municípios mineiros, nos períodos 2007/2008 e 2008/2009.
Por meio de técnicos, devidamente capacitados pelo Ministério, a empresa faz o cadastro dos produtores interessados e os orienta na utilização da técnica. As sementes são distribuídas pelo MAPA. Segundo Tinoco, essas sementes são plantadas para produzir mais sementes e formar o banco (unidades produtivas), para depois estender o benefício a mais produtores. Só no período 2008/2009, o programa beneficiou 53 agricultores de 25 comunidades rurais mineiras, em 45 municípios, de acordo o coordenador da Emater-MG.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Fossa ecologicamente correta


A Fossa Ecológica possui a vantagem da reutilização de lixo (pneu e entulhos de obras). Lembrando que, a mesma deve ser construída em lugares ensolarados, e deve tratar só águas negras (sanitário). As demais, provenientes de pias e chuveiros, devem ir para outro sistema de tratamento, conforme recomendação da ABNT.


Passo 1: Chapisco grosso.








Passo 2: Revestimento da tela - O método mais indicado de construção das paredes e do fundo é o ferro-cimento.





Passo 3: Colocação de entulhos, pneus e brita.Depois de pronto o tanque e assegurada a sua impermeabilidade, vêm a construção da câmara fazendo o uso de pneus usados e entulho de obra. A câmara é composta do duto de pneus e de tijolos inteiros alinhados ou cacos de tijolos, telhas e pedras, colocados até a altura dos pneus. Isto cria um ambiente com espaço livre para a água e beneficia a proliferação de bactérias que quebrarão os sólidos em moléculas de nutrientes.
Passo 4: Instalação do cano de entrada de esgoto.







Passo 5: Cobertura dos pneus, colocação de areia e retorno da camada superficial do solo.







Passo 6: Ligação da rede de esgoto na fossa e plantio da vegetação que consomem muita água e de raízes rasas. Espécies recomendadas são: ornamentais como copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica); maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana); lirio-do-brejo (Hedychium coronarium); caete banana (Heliconia spp.) e junco (Zizanopsis bonariensis).



Lembrando que, há necessidade de ter espaços livres para o volume total de água e resíduos humanos recebidos durante um dia sendo, portanto, construído com uma técnica que evite as infiltrações e vazamentos. Por isso, é muito importante o acompanhamento de um engenheiro ou técnico responsável, para garantir que seja uma unidade estanque. E também, como o tanque não tem tampa, para evitar o alagamento pela chuva, a superfície do solo do tanque deve ser abaulada, mais alta no centro, acima do nível da borda, coberto com palhas. Para evitar o escoamento superficial da água da chuva para dentro do sistema, é aberta uma vala ao redor do tanque para que esta fique mais alta que o nível do terreno.
Dúvidas e informações mais detalhadas procure o escritório local da Emater-MG.
Fonte e fotos: Thatiane Abrahão Pereira
Engª Agrônoma MSc - Boa Esperança - MG
FONTE: capebe

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A minhocultura e produção de húmus no contexto da agricultura familiar


É consenso entre os agricultores familiares de que “a terra que tem minhoca é melhor para a produção de hortaliças e frutas”. Eles sabem dos benefícios das minhocas no solo, como a maior aeração, maior capacidade de retenção de água, além, é claro, da melhoria das qualidades químicas.
Muitos agricultores dão testemunho dos efeitos positivos do húmus de minhoca sobre os mais diversos cultivos. O húmus, quando produzido em condições minimamente controladas, aproveita os resíduos orgânicos existentes nas propriedades, como estercos e restos vegetais, para suprir em muitos casos a necessidade de adubo em uma horta de pequeno ou médio porte, especialmente nas condições de produção de base ecológica.
No entanto, os agricultores familiares têm aproveitado pouco este extraordinário recurso natural em suas propriedades devido principalmente ao desconhecimento da técnica da minhocultura e suas particularidades, a crença da necessidade da construção de estruturas caras e complexas para a criação, e, até mesmo, a decepção com experiências anteriores mal sucedidas. Outro aspecto capaz de inibir a decisão dos agricultores de montar um minhocário é a confusão feita entre os requerimentos legais para a produção comercial de húmus de minhoca, ou seja, para vender, e a produção para uso próprio. Para uso na propriedade não é necessário retirar 100% das minhocas e casulos, nem peneirar o húmus para obter uma granulometria padronizada, pois estas práticas são exigidas somente àqueles que desejam comercializar húmus. A economia de mão-de-obra realizada quando se queimam estas etapas é significativa e pode ser a diferença para viabilizar na prática a sua utilização.
A Embrapa Clima Temperado tem desenvolvido algumas técnicas de baixo custo e baixo requerimento de mão-de-obra para demonstrar a viabilidade da produção de húmus na pequena propriedade familiar. Entre essas técnicas estão o minhocário campeiro de bambu e o minhocário em túnel baixo.
No minhocário campeiro as paredes laterais são feitas de bambus, entrelaçados para dar sustentação à estrutura, sem a necessidade de pregos, arames ou cordas. Este minhocário pode ser montado ao ar livre, na sombra de uma árvore e em um terreno com uma leve declividade para drenar o excesso de água, sendo dispensável isolar o fundo com cimento ou tijolos, pois as minhocas permanecem no minhocário enquanto houver alimento. Para reduzir os efeitos da chuva, pode-se simplesmente colocar folhas de árvores sobre o minhocário ou ainda uma tampa feita de bambu. Por estar exposto ao clima a as plantas próximas, o húmus produzido não apresenta uma qualidade tão boa quanto o fosse produzido em um local mais protegido, porém o custo irrisório justifica sua implantação nos casos da falta de recursos ou para aqueles agricultores que, antes de investir, desejam conhecer melhor a minhocultura.
O minhocário sob túnel baixo é uma melhoria do minhocário campeiro, sendo facilmente apropriado por aqueles agricultores que hoje cultivam espécies como morango e alface em estufas de mesmo nome. A construção do túnel é feita da mesma forma que nos canteiros para hortaliças, com a colocação dos arcos, das estacas de sustentação e dos esteios nas cabeceiras para tencionar e amarrar o filme plástico. Sob essa estrutura é montada uma caixa de madeira, na largura do túnel, e revestido o seu fundo com sombrite ou filme plástico perfurado para facilitar o escoamento do excesso de água. O húmus produzido nesse tipo de minhocário é de uma qualidade muito boa, principalmente por não ser lavado pelas chuvas. Além disso, é móvel e pode ser montado próximo à horta, facilitando a utilização do húmus e o monitoramento do processo.
A grande vantagem dessas tecnologias está no fato de poderem ser desenvolvidas com materiais simples, com custo zero ou bastante reduzido e de serem adaptadas às necessidades dos agricultores que desejam aproveitar os resíduos orgânicos disponíveis na propriedade de uma forma mais racional. Reciclar resíduos, reduzir a dependência externa dos adubos minerais e, ao mesmo tempo, reduzir os custos da produção, são alicerces fundamentais para uma agricultura mais saudável e comprometida com o ambiente em que vivemos.

domingo, 10 de junho de 2012

Calculando as fórmulas dos fertilizantes

Numa indústria, os químicos são responsáveis pelo cálculo das formulações que são enviadas ao parque industrial onde estão as matérias-primas estocadas e os equipamentos de moagem, granula-dores, misturadores, ensacadores etc. Tudo supervisionado por uma equipe de engenheiros de diversas especialidades.
A fórmula é calculada com base em 1.000 kg de matérias-primas, depois registrada nos orgãos governamentais competentes. Após obtido o registro, o produto começa a ser industrializado e depois comercializado. Para isto devemos saber quais as matérias-primas que podem ser utilizadas.
Nós temos formulações:
 - NPK que contém os três principais nutrientes, nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Por exemplo a fórmula 05 - 30 - 15;
 - NP que contém somente nitrogênio e fósforo. Por exemplo: 05 - 20 - 00 ou  as matérias-primas fosfatos monoamônio e diamônio;
 - PK que possuem somente fósforo e potássio. Por exemplo: 00 - 30 - 15;
 - NK que possuem nitrogênio e potássio. Exemplo: 10 - 00 - 15 e nitrato de potássio. 
Nós devemos conhecer, também, as matérias-primas que podem ser utilizadas.
1. Como fonte de nitrogênio mais utilizadas são a uréia com 45% de N. O sulfato de amônio com 20% de N. O fosfato monoamônio - MAP com 11% de N e 60% de P2O5. O fosfato diamônio  - DAP com 17% de N e 47% de P2O5;
2. Como fonte de fósforo, os superfosfato simples com 18% de P2O5. O superfosfato triplo com 41% deP2O5 e os fosfatos MAP E DAP;
3. Como fonte de potássio, o cloreto de potássio com 60% de K2O, é o mais utilizado como fonte de K2O.
As garantias expressas acima são as garantias mínimas determinadas pela Legislação Brasileira de Fertilizantes. Claro que podemos encontrar matérias-primas com teores um pouco maior mas o importante é que não podem ser comercializadas se não atenderem os requisitos mínimos.
Sabendo isto tudo, estamos aptos a calcular uma fórmula de fertilizantes. Chamo a atenção que a fórmula cujo resultado chegaremos não é a único pois com as mesmas garantias de nutrientes podemos ter várias composições. O importante é chegar no resultado final que expresse a garantia dos nutrientes. As indústrias, também, utilizam as matérias-primas que elas têm na ocasião da fabricação da mistura.
Vamos supor o cálculo da fórmula 5 – 30 – 15 que contem 5% de N, 30% de P2O5 e 15% de K2O. Isto quer dizer que em 100 kg teremos 5 kg de N, 30 kg de P2O5 e 15 kg de K2O. Em 1.000 kg, 50 kg de N, 300 kg de P2O5 e 150 kg de K2O. Por hipótese, as matérias-primas disponíveis são:

Fosfato diamônio (DAP) - 17% de N e 47% de P2O5
Superfosfato simples (SS): 18% de P2O5
Superfosfato triplo (ST): 41% de P2O5
Cloreto de potássio (KCl) – 60% de K2O

1 Passo - partir de um nutriente fornecido por uma só matéria-prima
Neste caso, este nutriente é o potássio na fórmula expresso por 15% de K2O.
Toda fórmula de fertilizante é calculada para 1.000 kg. Neste caso, precisamos 150 kg de K2O.


100 kg de KCl ............. 60 kg K2O
X ............................... 150 kg K2O
X = 150 x 100 / 60 = 250 kg/t de KCl
2 Passo  -  calcular os demais nutrientes
Faltam, portanto, 750 kg de matéria-prima para fechar os 1.000kg. Vamos partir, agora, para o nitrogênio (N) e fósforo (P) pois temos duas matérias-primas que fornecem o nitrogênio e o fósforo  - o MAP e o DAP. Vamos escolher o DAP.


100 kg de DAP ............... 17 kg de N
X ........................................50 kg de N
X = 50 x 100 / 17; DAP = 294 kg/t
Como o DAP também fornece P2O5,
100 kg de DAP ................ 47 kg de P2O5
294 kg de DAP ................ X
X = 294 x 47 / 100 = 138,18 kg/t de P2O5
Precisamos de 300 kg de P2O5. Como já temos 138,18 kg, estão faltando 161,82 kg de P2O5. Ou seja, 16,18%. Em matérias-primas, temos os 250 kg de KCl e os 294 kg do DAP que somam 544 kg. Faltam, portanto 456 kg de matérias-primas que vão ser distribuídos entre os SS e ST.
Aqui vamos aplicar uma equação matemática.
a = superfosfato simples (18%)
b = superfosfato triplo (41%)
(1) 18 a + 41 b = 16.180 (16,18 x 1000)
(2) a + b = 456 kg; logo b = 456 - a
Substituindo (b) na equação acima (1), teremos:

18 a + 41 (456 – a ) = 16.180
18 a + 18.696 - 41 a = 16.180; 18a - 42 a = 16.180 - 18.696
-24 a = -2516 multiplicando por (-1) teremos 24 a = 2516
a = 2516 / 24 = 104 kg/t de superfosfato simples
Para achar o superfosfato triplo (b) vá na equação (2) e substitua a= 104
b = 456 - a b = 456 - 104 = 352 kg/t de supertriplo
Está pronta a nossa formula 5 – 30 – 15
Vamos conferir?
250 kg de cloreto de potássio KCL = 250 x 60 / 1000 = 15% de K2O
294 kg de fosfato diamônio DAP = 294 x 18 N / 1000 = 5% de N e DAP = 294 x 47 de P / 1000 = 13,818% de P2O5
104 kg de supersimples = 104 x 18 P = 1,872% de P2O5
352 kg de supertriplo = 352 x 41 P = 14,432% de P2O5
Somando as matérias-primas = 250+294+104+352 = 1.000 kgSomando os nutrientes P = 13,818+1,872+14,432 = 30% P2O5
Nutriente N = 5%
Potássio K2O = 15%
Está pronta a nossa 5 - 30 - 15
Além disto, o superfosfato simples contém na sua formulação 8% de enxofre (S) enquanto o supertriplo contém 10% de Ca.
Supersimples  - 104 x 8 S/ 1.000 = 0,8% de S; Superfosfato triplo  - 352 x 10 Ca/1.000 = 3,5% de Ca.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Compostagem: Aproveitamento do lixo orgânico

O gerenciamento correto dos resíduos sólidos é um dos grandes desafios ambientais da atualidade. A Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – divulgou o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil¹, referente ao ano de 2010. O estudo revelou que a produção de lixo no país cresceu seis vezes mais do que a população.
O volume de RSU – Resíduos Sólidos Urbanos – gerado em 2010 pela população foi de quase 61 milhões de toneladas  de lixo (uma média de 378kg por pessoa). Não bastasse esse dado alarmante, também foi constatado que a quantidade de resíduos com destinação inadequada aumentou em relação ao ano anterior em quase dois milhões de toneladas. 23 milhões de toneladas foram encaminhadas a lixões e aterros controlados – que, por não possuírem mecanismos adequados para armazenamento do lixo, acabam contribuindo para a contaminação do solo e da água. E tudo isso, justamente no ano em que foi criada a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A maior parte do lixo residencial é formada por resíduos orgânicos que podem ser transformados em excelentes fontes de nutrientes para as plantas, através de uma técnica conhecida como compostagem, o que pode ser uma ótima forma de destinação para esse tipo de resíduo.
A compostagem é um conjunto de técnicas utilizadas para provocar a decomposição de materiais orgânicos, a fim de obter, em pouco tempo, um material estável, rico em nutrientes minerais, isto é, um excelente fertilizante orgânico.
Húmus
Na natureza, a “compostagem” acontece naturalmente, sem tempo definido, dependendo de uma série de fatores. Os galhos, folhas, flores, dejetos e restos de animais- por exemplo- ao cair no solo, sofrem ação de elementos presentes no ambiente, como a umidade, a temperatura, o oxigênio e os agentes “decompositores”, dentre outros. Com o tempo, a matéria orgânica decomposta torna-se húmus², liberando diversos nutrientes que são absorvidos pela terra, tornando-a mais produtiva.
O processo de compostagem envolve transformações extremamente complexas de natureza bioquímica, promovidas por milhões de microorganismos do solo que exigem certas condições para realizar esse trabalho. Por isso, não basta amontoar uma porção de lixo orgânico no quintal ou em um compartimento. É preciso fornecer as condições adequadas aos microorganismos para que eles degradem a matéria orgânica, transformando-a nos minerais essenciais para a nutrição das plantas.
Métodos de Compostagem
Os métodos de compostagem podem variar de sistemas artesanais até sistemas mais complexos. De acordo com Fernandes (2000), os sistemas de compostagem podem ser agrupados em três categorias:
a) Sistemas de leiras revolvidas (Windrow): A mistura de resíduos é disposta em leiras³. A aeração é feita através do revolvimento dos materiais e pela convecção do ar na massa do composto.
Revolvedor Industrial de Leiras
b) Sistema de leiras estáticas aeradas (Static pile): A mistura é colocada sobre uma tubulação perfurada que injeta ou aspira o ar na massa do composto, não necessitando do revolvimento mecânico das leiras.
c) Sistemas fechados ou reatores biológicos (In-vessel): Os materiais são colocados dentro de sistemas fechados, conhecidos como composteiros, que permitem o controle de todos os parâmetros do processo de compostagem.
Processo de Compostagem
O processo de compostagem pode levar de 60 a 120 dias para se completar, isto é, para que a matéria orgânica seja transformada em húmus. Esse tempo varia em função dos seguintes fatores:
§  Método de compostagem;
§  Umidade e aeração adequados;
§  Uso ou não de ativadores (torta de mamona, esterco, etc);
§  Tamanho dos restos orgânicos depositados.
 Vantagens da Compostagem
Além do aproveitamento dos resíduos orgânicos, o que diminui a quantidade de lixo descartada, a técnica ainda contribui para:
§  Redução do uso de fertilizantes químicos na agricultura;
§  Proteção do solo contra a degradação;
Melhoria das condições ambientais e da saúde da população.
Se você se interessou pelo assunto e quer conhecer todas as etapas de um processo artesanal de compostagem, acesse o link abaixo e baixe o documento “Compostagem Caseira de Lixo Orgânico Doméstico”, elaborado pela Embrapa:

FONTE:
Aproveitamento do lixo orgânico

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fatores que influenciam a produção agrícola (Fotossíntese,Água, Nutrição mineral)


Fotossíntese
 A fotossíntese é o processo pelo qual a energia luminosa é transformada em energia química e poder redutor, armazenada nas moléculas de ATP e NADH + H+. Num segundo passo fase escura (na verdade, fase independente de luz) a energia armazenada é utilizada para síntese de glicose a partir de CO2 +H2O. A fotossíntese ocorre nos cloroplastos, uma organela que, como a mitocôndria, possui uma membrana externa altamente permeável e uma membrana interna praticamente impermeável, separadas por um espaço intermembranar. A equação geral da fotossíntese é:
 6 CO2 + 6 H2O → C6H12O6 + 6 O2   ΔG = +2.870 KJ x mol-1
 A variação da energia livre padrão para a síntese da molécula da Glicose a partir das moléculas de H2O e CO2 é de +686 kcal/mol, com uma constante de equilíbrio de 10-496 a 27ºC.
As reações dependentes de luz ocorrem na membrana do tilacóide e envolvem processos semelhantes ao transporte de elétrons e fosforilação oxidativa da mitocôndria. As reações independentes de luz ocorrem no estroma.
Os primeiros estudos de fotossíntese realizados levaram à conclusão de que CO2 era a fonte do O2 gerado na fotossíntese. Em 1931, entretanto, demonstrou-se que bactérias fotossintetizantes anaeróbicas, sintetizam glicose a partir de CO2, sem gerar O2:
 CO2 + 2 H2S luz → (CH2O) + 2 S + H2O
 A reação geral da fotossíntese pode ser demonstrada como segue:
 CO2 + 2 H2A luz → (CH2O) + 2 A + H2O
 Em cianobactérias, H2A é H2S, e em plantas, H2O. Isso sugere que a fotossíntese seja um processo de duas fases, nos quais a energia solar é utilizada para oxidar H2A (fase clara):
 2 H2A luz → 2 A + 4[H]
 e o agente redutor resultante [H] subseqüentemente reduz CO2 (fase escura):
 4[H] + CO2 luz → (CH2O) + H2O
O principal fotorreceptor na fotossíntese é a clorofila. A luz absorvida pelas clorofilas antena e pigmentos acessórios é transferida para centros de reação fotossintéticos, onde ocorrem as principais reações da fotossíntese. Plantas e cianobactérias utilizam o poder redutor gerado pela oxidação de H2O dirigida pela luz para produzir NADPH.
Quando a molécula da Clorofila ou outra substância absorve um fóton, um elétron é excitado de uma orbital molecular para outra de mais elevada energia.
A maioria das células fotossintéticas absorve na zona de energia entre 450-700 nm, mas algumas bactérias podem usar as regiões entre 800 e 900 nm. As organelas onde se processa a fotossíntese são os Cloroplastos que apresentam 5 mm de comprimento.
Apresenta duas membranas uma interior e outra exterior entre as quais existe um espaço. A membrana interior envolve um Estroma, contendo enzimas solúveis e sacos achatados chamados Tilacóides formados por membranas, as membranas Tilacóides.
Uma pilha de tilacóides designa-se por Granum. Os cloroplastos têm então:
Três tipos de membranas: exterior, interior e tilacóide.
Três tipos de espaços: intermembrana, estroma e espaço tilacóide.
A produção de O2 na fotossíntese requer 2 fotossistemas: Fotossistema I (P700) gera um forte agente redutor, capaz de reduzir NADP+, e concomitantemente, um oxidante fraco; Fotossistema II (P680) gera um forte agente oxidante, capaz de oxidar H2O, e concomitantemente, um redutor fraco. O redutor fraco reduz o oxidante fraco. Assim, fotossistemas I e II precisam funcionar em série para acoplar a oxidação da H2O com a redução de NADP+ (transferência de elétrons de H2O para NADP+, formando O2 e NADPH + H+).

ÁGUA

Considerações Gerais
Na agricultura irrigada, o fator “água” deve ser otimizado possibilitando, sem maiores riscos, aumentar a utilização dos demais fatores de produção e, por conseqüência, obter-se maiores produtividades com uma melhor combinação dos insumos empregados. Para tanto, o conhecimento das funções de produção ou superfícies de resposta é fundamental para auxiliar nas decisões, haja vista que estas funções possibilitam determinar as interações entre os diversos fatores que afetam a produtividade, e escolher as soluções mais condizentes com a realidade regional, permitindo assim o manejo racional da irrigação em bases técnicas e econômicas.
Ao manejar, de forma racional, qualquer projeto de irrigação, deve-se considerar os aspectos sociais e ecológicos da região e procurar maximizar a produtividade e a eficiência de uso de água e minimizar os custo, quer de mão-de-obra, quer de capital, de forma a tornar lucrativa utilização da irrigação. Ou seja, não se deve fazer irrigação só para dizer que se estar fazendo agricultura irrigada, mas sim com o objetivo de aumentar o lucro, com o aumento da produtividade, quer em quantidade, quer em qualidade, ou com o objetivo de incorporar à agricultura terras que sem o uso da irrigação não seria possível serem cultivadas.
Existem muitas evidências no mundo de que grandes áreas, após os benefícios iniciais da irrigação, têm-se tornado impróprias à agricultura. Apesar de seus imensos benefícios, ela tem criado impactos ambientais adversos ao solo, à disponibilidade e qualidade da água, à saúde pública, à fauna e flora, e, em alguns casos, às condições sócio-econômicas da população local.
Quanto aos aspectos ecológicos, tanto a total desconsideração como as supervalorizações dos impactos ambientais não são benéficas ao desenvolvimento sustentado da irrigação. Devemos envidar esforços para a obtenção de dados confiáveis que permitam quantificar, com precisão, a magnitude do impacto ambiental ocasionado pela irrigação, de modo que possam ser considerados na execução e manejo dos projetos. Procedendo assim, teremos um crescimento sustentável da irrigação, evitando que seja baseado exclusivamente em benefícios financeiros de curto prazo, que trazem sérios problemas ao meio ambiente.
Não concordamos com aqueles que preconizam a paralisação do desenvolvimento de novos projetos de irrigação, em virtude de possíveis problemas ecológicos, mas também não podemos concordar com os que desconsideram totalmente os impactos ambientais relacionados com esses projetos e se apóiam somente na relação financeira entre beneficio e custo. Ambos os lados analisam, exclusivamente, uma única face do problema. Acreditamos que, na maioria dos casos, é possível compatibilizar desenvolvimento da irrigação com proteção do meio ambiente.  A irrigação no Brasil, infelizmente, ainda não esta sendo praticada com boa eficiência. Todavia, com a competição cada vez maior por “água”, pelos vários setores da sociedade, associada aos movimentos ecológicos, conscientizando a população da importância de um meio ambiente mais saudável e menos poluído, haverá, sem dúvida, pressão para que a irrigação seja conduzida com maior eficiência, de modo que cause o mínimo de impacto possível no meio ambiente, notadamente no que se diz respeito à disponibilidade e qualidade da “água” para as múltiplas atividades.
Deste modo, cada vez mais, torna-se de grande importância a conscientização da sociedade sobre a necessidade de se usar de forma racional os recursos hídricos. E que o direito de utilização da água encrue também a responsabilidade de usá-la de forma adequada.
Assim sendo, cada vez mais, os técnicos que tratam desse assunto deverão ter obrigação de tomar cuidado para que a irrigação no país não seja implementada de forma atabalhoada, e que seus benefícios não sejam ilusórios ou momentâneos, mas sob enfoque de desenvolvimento sustentado, de modo que gere benefícios a curto, a médio e a longo prazo, sem degradar o solo e o meio ambiente. Precisa-se, também, conscientizar a população de que “água” é um bem nobre, com disponibilidade cada vez mais limitada e de uso múltiplo. 
Nutrição de plantas
NITROGÊNIO

Dependendo da espécie de planta, do estádio de desenvolvimento e do órgão a quantidade para o crescimento ótimo varia entre 2 a 5% do peso da planta. Quando o suprimento está abaixo do ótimo, o crescimento é retardado e o nitrogênio é remobilizado das folhas mais velhas para as mais novas (regiões de crescimento). Neste caso, os sintomas típicos de deficiência de nitrogênio podem ser observados. Um aumento no teor de nitrogênio não somente decresce a senescência e estimula o crescimento, mas também altera a morfologia da planta de maneira típica, principalmente se a disponibilidade do nitrogênio é alta no meio radicular durante o início do desenvolvimento. Como conseqüência do aumento no teor de nitrogênio na planta pode-se citar:
- Aumento na relação do peso e do comprimento da parte aérea/sistema radicular da planta (planta anual e perene). Isto afeta a absorção de nutrientes e água do solo.
- Aumento do comprimento, largura e redução na espessura da folha, podendo tornar as folhas com grande inclinação com relação ao caule, afetando, assim, a interceptação da luz.
- Aumento da predisposição ao acamamento.
FÓSFORO
Embora o fósforo seja pouco exigido pela planta, é um dos nutrientes mais utilizados na adubação dos solos brasileiros. A falta deste nutriente é o que mais restringe a produção agrícola no Brasil. A maioria das análises de solo no Brasil registra menos de 10 mg kg-1 de solo, o que é considerado baixo. Em solos sob o cerrado, os teores encontrados são freqüentemente 1 mg kg-1 de solo, ou menos. Além da baixa disponibilidade deste elemento no solo, o fósforo tem outro agravante que é a grande interação com os elementos no solo (P-Fe, P-Al em solos ácidos e P-Ca em solos alcalinos), o que torna uma grande proporção do fósforo indisponível à planta.
Diferentemente do nitrato e do sulfato, o fosfato não é reduzido nas plantas e permanece em sua forma oxidada. Após a absorção, o fósforo permanece como fosfato inorgânico (Pi), ou é esterificado a grupos hidroxil na cadeia carbônica (CO-P) como um simples éster fosfato (ex. fosfato em açúcar), ou ligado a outro fosfato por ligação rica em energia, formando o pirofosfato (P~P), como por exemplo o ATP. A taxa de troca entre Pi, fósforo em éster e o pirofosfato é grande. Por exemplo, o Pi absorvido das raízes é incorporado em poucos minutos em Porgânico, mas logo após é liberado novamente como Pi dentro do xilema. Outro tipo de ligação do fosfato é caracterizado pela alta estabilidade do estado diéster (C-P-C). Nesta associação o fosfato forma uma parte conectando unidades mais complexas ou estruturais macromoleculares.
POTÁSSIO
O potássio é o mais abundante cátion no citoplasma (100 a 150 mM) e possui grande contribuição no potencial osmótico das células e tecidos de plantas glicofíticas. O potássio na planta não é metabolizado e forma complexos prontamente trocáveis. O potássio em termos gerais é o segundo nutriente em exigência pelas culturas, não sendo tão limitante no solo quanto o fósforo. Depois do fósforo, é o nutriente mais consumido pela agricultura brasileira.
CÁLCIO
A exigência de cálcio varia grandemente nas diferentes espécies, e pode variar de 10 até 200 kg ha-1. As dicotiledôneas de modo geral, são mais exigentes em cálcio do que as monocotiledôneas. O conteúdo de cálcio nas plantas varia entre 0,1 a 5,0% do peso seco dependendo das condições de crescimento.
MAGNÉSIO
A função do magnésio na planta está relacionada com a sua capacidade para interagir com ligantes nucleofílicos (ex. grupos fosforil) através de ligações iônicas, e atuar como um elemento de ligação e ou formar complexos de diferente estabilidade. O magnésio forma um composto ternário com enzimas na qual a ligação de cátions é necessário para estabelecer uma geometria precisa entre enzima e substrato, como por exemplo a RuBP carboxilase. Uma grande proporção do magnésio total está envolvido na regulação do pH celular e no balanço cátion-ânion.
Nas folhas a principal função do magnésio, é certamente como átomo central da molécula de clorofila. Dependendo do “status” de magnésio na planta, entre 6 a 25 % do magnésio total está ligado a molécula de clorofila. Como uma regra, outros 5 a 10% do magnésio total nas folhas está firmemente ligados a pectatos na parede celular ou precipitados como sal solúvel no vacúolo (como fosfato), e o restante 60 a 90% é extraível em água. Na maioria dos casos, o crescimento é reduzido e o sintoma visual de deficiência do magnésio ocorre quando a proporção de magnésio na clorofila excede 20 a 25 %. A semelhança do Pi, o principal local de armazenamento do magnésio é o vacúolo, que tem grande importância na homeostase do “pool” metabólico, e também no balanço cátion-ânion e regulação do turgor das células.
ENXOFRE
A assimilação do enxofre tem muitas características comuns com a assimilação do nitrato. Por exemplo, a redução é necessária para a incorporação do enxofre em aminoácidos, proteínas e coenzimas. Nas folhas verdes a ferredoxina é o redutor do sulfato. Diferentemente do nitrato, o sulfato pode também ser utilizado sem a redução e incorporação em estruturas orgânicas tais como, sulfolipídios nas membranas ou polissacarídeos como o ágar. Também em contraste com o nitrogênio, o enxofre reduzido da cisteína pode ser convertido a sulfato, forma de armazenamento nas plantas. A oxidação de enxofre reduzido de compostos também parece ter uma importante função como um sinal (“feedback”) negativo para a redução do sulfato.
Fontes à consultar:Apostila fotossíntese