sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cultivo da Mandioca (Manihot esculenta Crantz) Cont.


BOTÂNICA

Taxonomia
A mandioca é uma dicotiledônea da Família Euphorbiaceae, Gênero Manihot e Espécie M.esculenta Crantz. É a única espécie comestível do gênero que congrega cerca de 200 espécies. Existem algumas classificações incorretas da mandioca como: M. utilíssima; M. aipi; M. dulcis; M.; flexulosa; M. flabellifolia; M. difusa; M. melanobasis; M. digitiformis e M. sprucei. O gênero Manihot conta com um número aproximado de 200 espécies sendo a mais importante a Manihot esculenta Crantz, pelo seu maior interesse econômico.
Anatomia e morfologia
Raízes, caule, folhas, inflorescência, fruto e sementes. 
Plantas oriundas de sementes: Raízes modelo axial tuberoso, com muita freqüência com raízes secundárias feculentas. 
Plantas oriundas propagação agâmica: Raízes modelo pseudofasciculado tuberoso. 

Raízes: As raízes são ricas em fécula, apresentando-se sob várias conformações: Cilíndricas; Cilindro-cônicas; Cônicas; Fusiformes; Globosas (menos comum). O número de raízes oscila de 5 a 12 por planta. Independente da forma pode ocorrer raízes tortuosas (característica indesejável para aproveitamento industrial). Apenas algumas raízes intumescem pelo armazenamento de amido transformando-se em raízes tuberosas que são superficiais. A resistência à seca desta cultura deve estar associada a outra característica e não à extensão do sistema radicular da planta. O número de raízes é importante para definir o tamanho do dreno da planta. Uma deficiência no número de raízes pode limitar o potencial produtivo da planta por redução de dreno. A tabela 6 mostra a evolução média do número de raízes de dez cvs. de mandioca em Pacajus-CE. Os dados mostram também a evolução do comprimento e do diâmetro das raízes ao longo dos dois ciclos de crescimento. Observa-se que o diâmetro apresentou grande ritmo de crescimento evoluindo desde 70 dias após o plantio (dap) até 491 dap ao final do segundo ciclo. Ao contrário o comprimento atingiu valores máximos logo aos 84 dap estabilizando daí até o período final de crescimento. Fica claro que a produção de raízes está mais associada ao diâmetro que ao comprimento das raízes. A raiz tuberosa é constituída de:
Casca: Periderma ou película externa suberizada (felema), Esclerênquima, Parênquima cortical (látex com linamarina) e Floema;
Cilindro central: Cambio, Parênquima de armazenamento, Vasos do xilema, Vasos do xilema e fibras, Cilindro central branco ou amarelo (parênquima de reserva), rico em amido. Encerra no centro cambio vascular e xilema. As raízes são classificadas de acordo com o formato em: Cônica, Cilíndrica, Fusiforme, Estrangulada, Tortuosa, Globulosa.
Caule: O caule é subarbustivo ereto. Pode ser indiviso no ciclo vegetativo e ramificado no ciclo produtivo. O caule, de altura variável entre 1 e 3 metros pode ser ou não ramificado. Com o tempo torna-se suberizado com coloração cinzenta ou marrom. Quando adulto é lenhoso, quebradiço e dotado de nós salientes, apresentando ramificação baixa ou alta (caule ereto), dicotômica (divide-se em dois), tricotômica, tetracotômica e tipos intermediários. Os internódios são bem definidos e o crescimento é contínuo, a partir do crescimento ativo do meristema apical. Nas axilas dos nós encontra-se uma gema característica, responsável pela propagação vegetativa da espécie. Depois de atingir certo desenvolvimento a haste produz inflorescências na sua extremidade. Em geral as três gemas situadas abaixo do ápice da planta brotam e se desenvolvem em posição inclinada (45º) em relação à horizontal. No caule estão presentes vasos lactíferos que encerram o glicosídeo cianogênico linamarina.

Folhas: As folhas são palminérveas, inseridas no caule em disposição alterna-espiralada, lobadas com três, cinco, sete ou mais lobos e longamente pecioladas. Os lobos apresentam variação, estes apresentam diferentes cores variando do verde claro até roxo e formatos também variados, destacando-se espatulados lanceolados e oblongos (Figuras 5 e 6 ). Apresenta filotaxia 2/5. A anatomia da folha é simples. Apresenta epiderme com deposição de cutícula. Há uma camada de células de tecido palissádico seguido de 4 camadas de células de tecido lacunoso ou esponjoso. Há estômatos em ambas as superfícies (Figura 6). Lobo estreito é dominante sobre lobo largo. Teoricamente há vantagem das folhas com lobo estreito em condições de plantios densos e elevado índice de área foliar. Na prática há um problema: as folhas com lobo estreito têm menor área foliar unitária. A duração da folha talvez seja uma característica tão ou mais importante que sua forma na otimização do uso da radiação solar ao longo do ciclo cultural. Durante a estação seca as folhas sofrem abscisão e a planta diminui sua atividade fotossintética. A queda das folhas deve refletir um mecanismo de defesa da planta para evitar uma transpiração excessiva em condições de desequilíbrio hídrico. A longevidade das folhas varia, dependendo do IAF (Figura 6), pragas, doenças e clima.

O pecíolo: É de comprimento variável com o cultivar e com a idade da planta. Pode ser verde, rosado ou vermelho.
Inflorescência: As flores estão dispostas em inflorescências cimosas. As flores masculinas, localizadas na extremidade da ramificação da inflorescência são maiores em número e tamanho que as femininas na base. São unissexuadas por aborto, monoclamídeas (perianto com um só verticilo) e apresentam pré-floração calicina. As flores femininas amadurecem alguns dias antes das masculinas (dicogamia protogínica), numa mesma inflorescência e, também, na mesma planta, admitindo-se, por isto que a mandioca seja do grupo das plantas alógamas. São agrupadas em panículas na extremidade dos ápices. Não apresentam importância econômica, pois os frutos não têm valor comercial. A reprodução sexuada é importante apenas em trabalhos de melhoramento, na produção de novas cultivares. A planta é monóica. Há flores masculinas e femininas numa mesma planta, numa mesma inflorescência. Ambas têm curta duração. As masculinas em maior número abrem antes que as femininas e ocupam posição superior na panícula (Figuras 7). A polinização é feita por insetos. Vejamos os principais componentes: Masculina: Cinco sépalas, disco, estames (10) sendo 5 internos e 5 externos, anteras birimosas. Feminina: Duas flores por inflorescência; cálice com cinco sépalas e disco; três estilos conatos; estigma trilobado; ovário súpero com três lojas; estaminóide presente, às vezes.
Fruto: Cápsula tricoca, constituída de três lojas bivalvas com uma semente em cada, que se abrem quando completamente madura. A abertura ocorre na planta, mas pode também ocorrer no solo. Há cultivares com frutos providos de asas bem desenvolvidas e sinuosas e outros, sem essas formações. As sementes apresentam carúncula muito semelhante às da mamona. São constituídas de tegumento; endosperma, rico em óleo; embrião com cotilédones, radícula, hipocótilo e epicótilo (Figs. 8 e 9).
Sementes: São carunculadas, com testa, micrópila, hilo, rafe e chalaza. O embrião é central, com folhas cotiledonares grandes, maiores que a radícula. O endosperma é abundante e oleaginoso.



OBS.: todas as figuras desta postagem foram retiradas da apostila "a cultura da mandioca" no qual não há identificação dos autores.


Veja também: 

Cultivo da Mandioca (Manihot esculentum Crantz): Origem

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