segunda-feira, 25 de junho de 2012

A minhocultura e produção de húmus no contexto da agricultura familiar


É consenso entre os agricultores familiares de que “a terra que tem minhoca é melhor para a produção de hortaliças e frutas”. Eles sabem dos benefícios das minhocas no solo, como a maior aeração, maior capacidade de retenção de água, além, é claro, da melhoria das qualidades químicas.
Muitos agricultores dão testemunho dos efeitos positivos do húmus de minhoca sobre os mais diversos cultivos. O húmus, quando produzido em condições minimamente controladas, aproveita os resíduos orgânicos existentes nas propriedades, como estercos e restos vegetais, para suprir em muitos casos a necessidade de adubo em uma horta de pequeno ou médio porte, especialmente nas condições de produção de base ecológica.
No entanto, os agricultores familiares têm aproveitado pouco este extraordinário recurso natural em suas propriedades devido principalmente ao desconhecimento da técnica da minhocultura e suas particularidades, a crença da necessidade da construção de estruturas caras e complexas para a criação, e, até mesmo, a decepção com experiências anteriores mal sucedidas. Outro aspecto capaz de inibir a decisão dos agricultores de montar um minhocário é a confusão feita entre os requerimentos legais para a produção comercial de húmus de minhoca, ou seja, para vender, e a produção para uso próprio. Para uso na propriedade não é necessário retirar 100% das minhocas e casulos, nem peneirar o húmus para obter uma granulometria padronizada, pois estas práticas são exigidas somente àqueles que desejam comercializar húmus. A economia de mão-de-obra realizada quando se queimam estas etapas é significativa e pode ser a diferença para viabilizar na prática a sua utilização.
A Embrapa Clima Temperado tem desenvolvido algumas técnicas de baixo custo e baixo requerimento de mão-de-obra para demonstrar a viabilidade da produção de húmus na pequena propriedade familiar. Entre essas técnicas estão o minhocário campeiro de bambu e o minhocário em túnel baixo.
No minhocário campeiro as paredes laterais são feitas de bambus, entrelaçados para dar sustentação à estrutura, sem a necessidade de pregos, arames ou cordas. Este minhocário pode ser montado ao ar livre, na sombra de uma árvore e em um terreno com uma leve declividade para drenar o excesso de água, sendo dispensável isolar o fundo com cimento ou tijolos, pois as minhocas permanecem no minhocário enquanto houver alimento. Para reduzir os efeitos da chuva, pode-se simplesmente colocar folhas de árvores sobre o minhocário ou ainda uma tampa feita de bambu. Por estar exposto ao clima a as plantas próximas, o húmus produzido não apresenta uma qualidade tão boa quanto o fosse produzido em um local mais protegido, porém o custo irrisório justifica sua implantação nos casos da falta de recursos ou para aqueles agricultores que, antes de investir, desejam conhecer melhor a minhocultura.
O minhocário sob túnel baixo é uma melhoria do minhocário campeiro, sendo facilmente apropriado por aqueles agricultores que hoje cultivam espécies como morango e alface em estufas de mesmo nome. A construção do túnel é feita da mesma forma que nos canteiros para hortaliças, com a colocação dos arcos, das estacas de sustentação e dos esteios nas cabeceiras para tencionar e amarrar o filme plástico. Sob essa estrutura é montada uma caixa de madeira, na largura do túnel, e revestido o seu fundo com sombrite ou filme plástico perfurado para facilitar o escoamento do excesso de água. O húmus produzido nesse tipo de minhocário é de uma qualidade muito boa, principalmente por não ser lavado pelas chuvas. Além disso, é móvel e pode ser montado próximo à horta, facilitando a utilização do húmus e o monitoramento do processo.
A grande vantagem dessas tecnologias está no fato de poderem ser desenvolvidas com materiais simples, com custo zero ou bastante reduzido e de serem adaptadas às necessidades dos agricultores que desejam aproveitar os resíduos orgânicos disponíveis na propriedade de uma forma mais racional. Reciclar resíduos, reduzir a dependência externa dos adubos minerais e, ao mesmo tempo, reduzir os custos da produção, são alicerces fundamentais para uma agricultura mais saudável e comprometida com o ambiente em que vivemos.

domingo, 24 de junho de 2012

ALIMENTOS NA NUTRIÇÃO DE BOVINOS

Fabiano Alvim Barbosa - Médico Veterinário, Mestre em Zootecnia/Nutrição de Ruminantes, Doutorando - Produção Animal da Escola de Veterinária/UFMG - junho/2004.
1. ALIMENTOS, RESÍDUOS E SUBPRODUTOS
Os alimentos são classificados de acordo com a Associação Americana Oficial de Controle de Alimentos (AAFCO) e o Conselho Nacional de Pesquisas dos EUA (NRC) e adaptada por F.B. MORRISON:
·    Alimentos volumosos - são aqueles alimentos de baixo teor energético, com altos teores em fibra ou em água. Possuem menos de 60% de nutrientes digestíveis totais (NDT) e ou mais de 18% de fibra bruta (FB) e podem ser divididos em secos e úmidos. São os de mais baixo custo na propriedade. Os mais usados para os bovinos de corte são as pastagens naturais ou artificiais (braquiárias e panicuns em sua maioria), capineiras (capim elefante), silagens (capim, milho, sorgo), cana-de-açúcar, bagaço de cana hidrolisado; entre os menos usados estão: milheto, fenos de gramíneas, silagem de girassol, palhadas de culturas, etc.
·   Alimentos concentrados - são aqueles com alto teor de energia, mais de 60% de NDT, menos de 18% de FB, sendo divididos em:
·  Energético: alimentos concentrados com menos de 20% de proteína bruta (PB); origem vegetal - milho, sorgo, trigo, arroz, melaço, polpa cítrica; origem animal - sebos e gordura animal;
·  Protéicos: alimentos concentrados com mais de 20% de PB; origem vegetal - farelo de soja, farelo de algodão, farelo de girassol, soja grão, farelo de amendoim, caroço de algodão, cama de frango -; origem animal - farinha de sangue, de peixe, carne e ossos (sendo esta última atualmente proibida pelo Ministério Agricultura para uso em ruminantes).
·  Minerais - compostos de minerais usados na alimentação animal: fosfato bicálcico, calcário, sal comum, sulfato de cobre, sulfato de zinco, óxido de magnésio, etc.
·    Vitaminas - compostas das vitaminas lipossolúveis e hidrossolúveis;
· Aditivos - compostos de substâncias como antibióticos, hormônios, probióticos, antioxidante, corantes, etc.
·   Outros alimentos - aqueles que não se classificam nos itens anteriores (TEIXEIRA, 1998; MELLO, 1999).

sábado, 23 de junho de 2012

A importância da utilização da palma forrageira como alimento para o gado, principalmente na época do verão.

A palma forrageira é o alimento mais utilizado pelos produtores na Bacia Leiteira de Batalha, principalmente na época do verão. É o único volumoso que mantém seu valor nutritivo mesmo sem parar de crescer.
A espécie mais cultivada é a palma doce ou miúda (Nopalea cochenilifera) cujas raquetes alongadas possuem em média 25 cm de comprimento. É a menos resistente à falta de água mas é a mais palatável e nutritiva.
Também são cultivadas embora em pequena escala, a palma gigante (Opuntia ficusindica) com raquetes em forma oval com até 50 cm de comprimento e a palma redonda (Opuntia sp) com 40 cm de comprimento em formas arredondadas.
A palma é resistente à falta de chuvas, armazena uma grande quantidade de água e tem alta digestibilidade. Há produtores rurais que conseguem até 30 toneladas de matéria seca de palma em apenas um hectare, o que significa a produção de aproximadamente 300 toneladas de palma a cada dois anos.
Em média, cada vaca consome aproximadamente 50 kg de palma por dia, ou seja, 5 kg de matéria seca. Mas a palma não deve ser o único alimento oferecido para as vacas por ter baixo teor de fibras e pode levar a uma diarréia. O restante é complementado com outros volumosos, como pastos secos, silagens de milho ou sorgo, feno, palhadas de restos de culturas, bagaço de cana, farelo de soja, torta de algodão para enriquecimento protéico e para evitar a ocorrência de diarréia.
A palma é uma planta que exige solo de qualidade para ter bom rendimento. Uma boa fonte de nutrientes, o esterco de curral, é muitas vezes desprezado por produtores que desconhecem o potencial deste adubo orgânico, capaz de duplicar a produtividade de palma por hectare. A falta de conhecimento leva muitos pecuaristas a venderem grandes quantidades do adubo orgânico para produtores de fumo e hortaliças.
A produção obtida em um hectare de palma adensada (sistema onde se utiliza os espaçamentos entre fileiras e raquetes, menores que os normalmente usados pelos agricultores, ou seja, numa mesma área pode se plantar quantidade maior de raquetes) é de aproximadamente 300 toneladas a cada dois anos, o que permite alimentar, no período de seca, 30 vacas durante 180 dias com um consumo médio diário de 50 kg de palma por vaca.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Encontro técnico sobre a Cochonilha do Carmim em Campina Grande - PB

O Departamento de Sanidade Vegetal/Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – DSV/MAPA, no dia 09 de Setembro de 2011, realizaram uma "Reunião Técnica", em Campina Grande-PB nas instalações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-EMBRAPA/Algodão no Auditório Luiz Carlos de Medeiros, para tratar de forma pontual, das ações a serem adotadas na busca de soluções para o controle da praga Cochonilha do Carmim – Dactylopius opuntiae, que atinge a palma gigante - Opuntia fícus-indica. Os trabalhos foram dirigidos de forma brilhante pelo Diretor do DSV- Fiscal Federal Agropecuário-FFA Cósam de Carvalho Coutinho, eFFA Érico Tadashi Sedoguchi, do Ministério da Agricultura em Brasília.
O evento contou com a participação de autoridades fitossanitárias dos nove estados do Nordeste, e o Estado de Minas Gerais e os seus respectivos Secretários de Agricultura para apresentar as principais ações desenvolvidas em seus estados. Do Rio Grande do Norte-RN se fez presente os FFA, Evádio Pereira e Givonaldo Augusto da Silva, do MAPA. A Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca-SAPE e o Instituto de Defesa e inspeção Agropecuária do RN-IDIARN, na pessoa da Engenheira Agrônoma Vera Lúcia Paiva Rodrigues, Diretora Vegetal do IDIARN, e o Fiscal Estadual Agropecuário-FEA, Max Welber de Souza Ribeiro, responsável pelo Programa da Praga Quarentenária Cochonilha do Carmim (Dactylopius opuntiae) em Palma Forrageira (Opuntia e Nopalea), ao qual apresentou pontualmente as ações realizadas pelo IDIARN no controle da Praga.
O RN foi citado no Evento como referência em suas ações de prevenção aCochonilha do Carmim – Dactylopius opuntiae, uma vez que esta praga não é presente no Estado, mas pelo fato dos estados vizinhos, CE, PB, PE e AL serem presente, o RN encontra-se em Alerta para que essa não venha a ocorrer, ao qual, causaria grandes perdas econômicas para os produtores.
Cochonilha do Carmim – Dactylopius opuntiae, a mais devastadora praga que atinge a Palma forrageira Gigante, deixa a planta debilitada, provocando o amarelecimento, seca e morte das raquetes em curto espaço de tempo. Os agricultores do semi-árido nordestino vêm se preocupando cada vez mais, uma vez que a palma é a alternativa para alimentar o seu rebanho no período de estiagem.
FONTE: IDIARN



quinta-feira, 21 de junho de 2012

ADAGRI destrói 12 mil mudas de citros no Ceará


A ADAGRI (Agência de Defesa Agropecuária do Ceará) através da Diretoria de Sanidade Vegetal, eliminou mais de 12 mil mudas de citros no Ceará. As plantas estavam contaminadas com a praga conhecida como Cancro Cítrico. A doença bacteriana é altamente contagiosa e resistente, provocando lesões nas folhas, frutos e ramos e consequentemente, a queda da produção de espécies cítricas.
O primeiro foco da doença foi detectado em dezembro de 2011, em Beberibe. Em seguida, outros  viveiros localizados na Região Metropolitana de Fortaleza, Paracuru e em Saõ Benedito foram identificados. Focos da Doença também foram detectados em produções domésticas no Ceará.  “ É importante dizer que esses viveiros não venderam mudas para as áreas de  produções comerciais,  o que significa que estas não foram atingidas”, afirmou Tuffi Habibe, Gerente de Vigilância e Defesa Vegetal da ADAGRI, com base nos monitoramentos desenvolvidos pelos Fiscais da ADAGRI nessas áreas.
No mês de abril, uma mega operação, reuniu todos os ficais da Área Vegetal. Eles foram divididos em grupos e por regiões, realizando inspeções com coletas de amostras para exames laboratoriais e após a confirmação da ocorrência da praga,  foram iniciadas e concluidas ações que culminaram com  a erradicação de 12 mil mudas.
Além da erradicação da praga cancro cítrico, os Fiscais também fizeram um trabalho de educação sanitária. O procedimento está de acordo com a portaria 291/97 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). "As atividades de prospecção de pragas fazem parte de um intenso e permanente trabalho de vigilância fitossanitária no Estado do Ceará  afirma Tito Carneiro, Assessor Técnico da ADAGRI|DISAV.

Assessoria de comunicação
Amanda Sobreira
3101 8137
www.twitter.com/@adagri
Fonte: ADAGRI

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mosca Negra dos Citros Chega ao Ceará.


A ADAGRI comunica oficialmente a presença da Praga Quarentenária A2, Mosca Negra dos Citros (Aleurocanthus woglumi Ashby), em nosso Estado. A confirmação foi comunicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento -  MAPA, a partir de  amostras encaminhadas pela ADAGRI. A  partir da confirmação da presença da citada praga no Estado da Paraíba, a Agência de Defesa intensificou os trabalhos de levantamento dessa praga em todo Estado, culminando com a constatação de 3 focos localizados nos municípios de Paraipaba e Caucaia na região metropolitana de Fortaleza.  Os dois primeiros focos foram constados em viveiros de mudas no município de Paraipaba e o último em chácara no município de Caucaia. As medidas inicialmente adotadas foram: com referência aos viveiristas, foi efetuada a interdição, apreensão e destruição imediata das mudas infestadas e com relação a chácara, a equipe ainda esta fazendo o levantamento da extensão da ocorrência da praga para efetuar as pulverizações com inseticidas e posterior monitoramento em toda região e seus limites. Quanto ao restante do Estado ainda não foi detectada a presença da Mosca Negra. O Governo do Estado já inciou ações emergenciais no sentido de conter o avanço e o estabelecimento da praga no Ceará. São ações de vigilância de trânsito, inspeção em viveiros, erradicação de focos, educação sanitária, capacitação de técnicos para emissão de Certificação Fitossanitária de Origem/CFO, informação através da mídia, entre outras. Possivelmente a introdução desta praga no Estado do Ceará se deu através de trânsito de mudas, diante disso, apesar dos esforços da ADAGRI de evitar a sua entrada, é fundamental que os viveiristas estejam bastante atentos quanto ao monitoramento em seus viveiros. Qualquer suspeita da presença da praga ligar para o telefone 85.3101.8074, que a ADAGRI imediatamente efetuará a inspeção no sentido de garantir a oferta de mudas sadias e evitar que esta praga se dissemine em nosso Estado.

Tito Carneiro
Diretor de Sanidade VegetalAdagriFone: 85 – 3101.8074
Fonte: ADAGRI

terça-feira, 19 de junho de 2012

Pragas quarentenárias


Praga quarentenária é todo organismo de natureza animal e/ou vegetal, que estando presente em outros países ou regiões, mesmo sob controle permanente, constitui ameaça à economia agrícola do país ou região importadora exposta. Tais organismos são geralmente exóticos para esse país ou região e podem ser transportados de um local para outro, auxiliados pelo homem e seus meios de transporte, através do trânsito de plantas, animais ou por frutos e sementes infestadas. As pragas quarentenárias se agrupam em duas categorias:
A1 – são as pragas exóticas não presentes no país e
A2 – são pragas de importância econômica potencial, já presentes no país, porém apresentando disseminação localizada e submetidas a programa oficial de controle.
São consideradas pragas quarentenárias na fruticultura, para o Brasil, as moscas-das-frutas: Anastrepha ludens (moca-das-frutas mexicana), Anastrepha suspensa (mosca-das-frutas do Caribe), Ceratitis rosa (mosca-das-frutas-de-natal), Daucs cucurbitae(moca-do-melão), D. tryoni (mosca-de-queensland), Toxotripana curvicauda (mosca-do-mamão) e Bactrocera carambolae (moca-da-carambola). Além das moscas-das-frutas citadas, são ainda relacionadas como pragas quarentenárias para as frutíferas no Brasil: a mosca-negra-dos-citros (Aleurocanthus woglumi), o gorgulho da manga (Sternochetus mangiferae) e a cochonilha rosada (Maconellicoccus hirsutus). No caso específico da manga, o impacto negativo da introdução da mosca-da-carambola, bem como da mosca-negra-dos-citros e de outras pragas A1, como o gorgulho-da-manga e a cochonilha rosada, pode ter conseqüências desastrosas tanto econômica quanto ambientalmente. Mas medidas preventivas para evitar a entrada dessas pragas no Brasil e na região do Vale do São Francisco estão sendo tomadas.
De maneira semelhante, também estão sendo executadas medidas preventivas para evitar a entrada de pragas do tipo A2 no Vale do São Francisco uma vez que a ocorrência deste tipo de praga em alguns estados brasileiros foi registrada.
FONTE: Embrapa